RELATO DE VIAGEM REALIZADA AO PERU, EM DEZEMBRO DE 2004, EM UM TOTAL DE 23 DIAS, 11.000 KM
 
 

A viagem ao Peru foi desenhada e planejada durante vários meses. Foram muitas as fontes de pesquisa utilizadas, sem deixar de estudar detalhadamente fatos históricos daquele país que é repleto de curiosidades e de misticismo.
O percurso escolhido para alcançarmos o Peru foi atravessando novamente o Deserto do Atacama, já que a Michelle não esteve na outra viagem àquela região, realizada em 2003. A moto utilizada foi a mesma Yamaha TDM 850, nossa fiel companheira de milhares de quilômetros pela América do Sul.

Nossa partida se deu no dia 17.12.2004, quando rumamos para a Argentina, atravessando a fronteira entre São Borja e San Tomé.
Cruzamos toda Argentina através da região do Chaco pela cansativa, calorenta e esburacada Ruta 16, que nos levou até Salta.
Depois de Salta dormimos uma noite em Purmamarca, pacata e típica cidade da região da Puna, entrada do deserto. Nesta viagem estavam previstos pernoites em cidades menores, evitando o agito e o tumulto das grandes cidades.

O cruzamento do Atacama foi em um belíssimo dia de céu azul profundo, quando passamos pelas salinas – salares – alcançamos altitudes superiores a 4.000 metros e finalmente chegamos a San Pedro de Atacama, passando pelo vulcão Licancábur.
Passamos três dias em San Pedro, revisitando vários lugares muito interessantes como os Gêiseres del Tatio, Valle de la Luna, Valle de la Muerte, Salar de Atacama, Púcara de Quitor, etc. San Pedro é uma cidade apaixonante, por isso vale a pena gastar uns dias a mais por ali.

De San Pedro rumamos para oeste até encontrarmos as águas do Oceano Pacífico, na cidade de Tocopilla, e de lá seguimos margeando o mar até Iquique, onde paramos para manutenção da moto.
Após Iquique nosso destino era ingressar no Peru, o que fizemos depois de aproximadamente 300 km de estradas desertas e sinuosas que nos levaram até a fronteira dos dois países.

O Peru nos surpreendeu em vários aspectos. Suas estradas são, em geral, de bom asfalto, porém muitas vezes alcançam altitudes superiores a 4.500 metros, afetando bastante o desempenho da moto e criando situações críticas, com muito frio, neve, granizo e com as longas distâncias desabitadas.
Nosso roteiro passou por Tacna, Moquegua, Desaguadero, Puno, Cusco, Nazca e Arequipa.

Estradas belíssimas margeando o Lago Titicaca nos levaram até Puno, onde visitamos as Ilhas Flutuantes de Uros. Inesquecível o contato com os nativos e suas construções de totora. Até Cusco a estrada passa por paisagens maravilhosas, porém cortando vilarejos muito pobres e com muitos animais na pista, o que exigia um cuidado redobrado na pilotagem. A moto, naquele trecho, também sofria muito devido à altitude e à péssima qualidade da gasolina.

A chegada em Cusco é vibrante. Cidade movimentada e que deixa no ar todo o mistério dos incas e suas construções maravilhosas, representadas pelas ruínas ao seu redor, sendo as principais Ollantaytambo, Pisac, Saqsaywaman e Tambomachay, além, é claro, de Machu Picchu.

Na “cidade perdida dos incas” passamos um dia inteiro, investigando cada metro quadrado daquele paraíso da história da humanidade. Qualquer palavra que seja usada para descrever Machu Picchu será pouca se comparada à grandiosidade daquelas ruínas.
De Cusco seguimos pela estrada mais perigosa e cansativa que já pilotamos uma moto. Foram 700 km até Nazca, já de volta à região do deserto peruano. Nosso interesse em Nazca foi conhecer as linhas, desenhos centenários feitos nas areias do deserto sabe-se lá por quem e para quê. Só são vistas do alto, por isso usamos um avião monomotor que partiu do aeroporto da cidade e por 40 minutos sobrevoou todo aquele campo misterioso. De Nazca iniciamos nosso retorno ao Brasil, passando por Arequipa e seguindo pelo Atacama.

O Peru é um país especial para quem já tem alguma experiência em viagens de moto. Há muita adrenalina escondida no meio de sua cordilheira e muita história para contar nas suas cidades incas. É uma viagem que exige um preparo mais profundo, por conta das condições das estradas, das distâncias entre as cidades e do clima traiçoeiro.
Em nosso livro relatamos com muitos detalhes essa viagem, que deve ser empreendida por quem procura uma aventura forte, de muito impacto e de muito engrandecimento pessoal. Lá colocamos várias considerações, cuidados que devem ser tomados, aspectos das cidades, das estradas, perigos, belezas e mistérios do fascinante Peru. Se você deseja adquirir o livro, clique aqui.

Ouça uma música tradicional da região