RELATO DE VIAGEM REALIZADA AO DESERTO DO ATACAMA, EM ABRIL E MAIO DE 2010, 8.858 KM, 25 DIAS, MOTO SUZUKI DL 1000 V-STROM.

 
 

Este roteiro já havíamos realizado outras vezes, dentro  de outras viagens, mas decidimos repeti-lo novamente pois não tínhamos muito tempo disponível e também o orçamento era curto. Conseguimos, eu e Michelle, tirar férias no mesmo período, então foi a nossa chance de viajar juntos novamente.
A viagem foi programada para conhecermos também o Paraguay, país onde não havíamos ainda rodado de moto. Outro ponto alto da viagem programado era o Paso Água Negra, sentido Chile para Argentina. Infelizmente este trecho não foi possível de realizar e, dentro do relato abaixo, explicaremos o porquê.

17/04/2010 – Criciuma SC a Chapecó SC – 560 Km
Estamos temporariamente morando em Criciuma, sul de Santa Catarina. Por isso nosso ponto de partida se deu naquela cidade. Nosso destino neste primeiro dia de viagem foi Chapecó, no oeste catarinense, pois iríamos em direção ao Paraguay. Os 560 Km entre as duas ciudades foram cumpridos tranquilamente, e já nos primeiros 70 Km a viagem ficou interessante pois subimos a Serra do Rio do Rastro, uma das estradas mais bonitas de SC. Partimos as 06:15 hs da manhã e, as 07:30 hs já estávamos no topo da serra, com uma visão deslumbrante sobre as nuvens e da neblina matinal. A estrada até Chapecó é bem tranquila. Após Lages, seguimos pela BR 282 passando pelas ciudades de Campos Novos, Ponte Serrada, Xanxerê e por fim Chapecó. Chegamos ao destino as 16:00 hs e fomos recebidos por colegas de trabalho da Michelle, o casal Camila e Fabiano e a Kátia. Seguiu-se uma visita a cidade, chopp na avenida principal e a noite um jantar com outros amigos.

18/04/2010 – Chapecó SC a Foz do Iguaçu SC – 520 Km
O oeste de SC é muito bonito e as estradas, em sua maioria, muito boas. Partimos de Chapecó e continuamos pela BR 282 passando por São Miguel do Oeste, São José do Cedro, entramos no Paraná por Barracão e logo chegamos a Foz do Iguaçu, porém quase passando por Cascavel, já que a estrada faz um contorno grande e obrigatório o que alarga a viagem em aproximadamente 100 Km.
Foz do Iguaçu é uma grande cidade. Hospedamo-nos no Hotel Luz (R$ 89,00) por dois dias. Aproveitamos para revisitar as Cataratas do Iguaçu, sempre um espetáculo incrível, e também a usina de Itaipu, o que para nós foi uma grande novidade. A noite aproveitamos o transporte gratuito do hotel e fomos a Ciudad del Este, no Paraguay. Vimos vários produtos interessantes mas não compramos nada, pois era apenas o terceiro dia de viagem e não iríamos encher as bagagens com tranqueiras eletrônicas. Fiquei apenas na vontade de comprar finalmente um GPS, mas consegui me segurar…

20/04/2010 – Foz do Iguaçu a Asuncion Paraguay – 350 Km
Apesar dos varios conselhos para não viajarmos de moto pelo Paraguay, passamos pela aduana bem cedo pela manhã e a bagunça no trânsito paraguaio já estava formada. Muitos carros, vans, bicicletas, carregadores, guias turísticos, aproveitadores, etc... Fizemos rapidamente os trâmites paraguaios de ingresso e seguimos viagem pela estrada que corta todo o país em direção a Asuncion. Estrada tranqüila, vários pontos de abastecimento (sem luxo, claro), vegetação seca nos lados da estrada. Muitas cidades ou vilas são cortadas pela estrada. Chama a atenção a quantidade enorme de motos 125CC. Parece que cada paraguaio tem a sua. Na frente das casas sempre há 2 ou 3 motos paradas. Outra coisa sempre parada na frente das casas são os próprios paraguaios. Em plena manhã de dia de trabalho, muitos ficam sentados em frente das casas, fazendo sabe-se lá o quê. É muita gente inoperante, mas cada país tem a sua cultura e sua economia.
Não tivemos qualquer problema na estrada paraguaia. Sem policiais, sem pessoas suspeitas, etc. Aliás, se eu tivesse dado ouvidos a opiniões, nunca teria viajado de moto por Venezuela, Colômbia e Bolívia, por exemplo. O Paraguay é um país tranqüilo para se viajar de moto. O atual presidente do país, Fernando Lugo, editou recentemente norma que simplesmente proíbe a “coima”, ou seja, o pedido de propina pelos funcionários públicos. Parece que a norma “pegou”, para o bem dos turistas, principais alvos deste tipo de ação (bem que a Argentina poderia copiar este belo exemplo do Paraguay).
Chegamos a Asuncion no final da tarde, sob um calor insuportável dentro das roupas de pilotagem. Foi difícil encontrar um hotel para nosso padrão de preço. Enfim, ao conversar com um taxista, fomos avisados que os hotéis em Asuncion são caros mesmo, não tem saída. Hospedamo-nos do Hotel Premier Hill (US$ 88,00). Contratamos o taxista para fazer um tour pela cidade, onde pudemos ver o palácio do governo, o porto, algumas praças (com indigentes por toda a parte), o estádio de futebol Defensores del Chaco, a universidade, etc.

21/04/2010 – Asuncion PY a Ingeniero Juarez ARG – 633 Km
Saímos do Paraguay pela fronteira com a Argentina de Puerto Falcon – Clorinda. Após a ponte internacional que une os dois países sobre o Rio Paraguay já sentimos a vegetação seca do Chaco. Descemos pela Ruta 11 até Florinda, onde sacamos pesos argentinos em um banco, e depois seguimos pela Ruta 81 a oeste, passando por cidades como Palo Santo e Pozo del Tigre. É uma imensa reta, similar a Ruta 16, porém mais conservada e que encurta o trecho até San Salvador de Jujuy. Todas as cidades na beira desta estrada são muito pequenas, com mínimas opções de hospedagem e abastecimento, mas é uma viagem tranqüila. Paramos em Ingeniero Juarez, em um “hotel” na beira da estrada chamado Parador 81 (P$ 100,00 – R$ 50,00). Acomodações simples porém pelo preço valeu muito a pena. Grilos gigantes infestavam o lugar, os quartos, o restaurante e nossos copos de refrigerante, mas vamos em frente, viajar de moto é isso aí, só alegria. Após Ingeniero Juarez há um longo trecho até Embarcacion (280 Km) sem abastecimento. Deve-se abastecer em Ingeniero Juarez e calcular a autonomia da moto para não ficar na estrada.

22/04/2010 – Igeniero Juarez ARG a San Salvador de Jujuy ARG – 500 Km
Partimos de Ingeniero Juarez ainda de madrugada (adeus aos grilos). Chovia fino. Resolvi não levar gasolina reserva e fazer a V-Strom, com garupa e carregada, cumprir os 280 Km sem abastecimento. Pus a moto a 100 Km/h e, aliando toda a paciência que achava que não tinha, viajamos nesta velocidade constante até o posto. Foi uma marca histórica. Pela primeira vez a moto fez o incrível desempenho de 17,5 Km/l, ou seja, cheguei ao posto com gasolina sobrando no tanque. Choveu o dia todo. Almoçamos em San Martin e logo chegamos a Jujuy. Parados em frente a um hotel no centro de Jujuy, um argentino se aproximou e perguntou se queríamos hospedagem. Acabou nos levando a um hotel recém inaugurado, de um amigo seu. Foi uma ótima escolha e vale a pena conferir ao pernoitar em Jujuy: Terraza Balcarce (www.terrazabalcarce.com.ar), na Balcarce 354. Preço de P$ 180,00 (R$ 90,00), com café da manhã decente, garagem fechada para a moto, quarto moderno, banho super quente, etc. Saímos para uma janta típica da região e fomos cedo pra cama. O dia tinha sido úmido demais, as roupas ainda estava molhadas...

23/04/2010 – Jujuy ARG a Tilcara ARG – 102 Km
Esta região de Jujuy e suas quebradas realmente é um lugar que gostamos muito. Já estivemos aqui por mais de 3 vezes e sempre é muito bom estar de volta. As estradas são ótimas, o visual das montanhas secas é incrível. Tilcara é pura paz e cultura indígena. Hospedamo-nos no Asas del Alma Cabañas, na habitação “Pasión”, por P$ 250,00 (R$ 125,00). Vale muito a pena. Curtimos a comida típica do local, uma cerveja gelada no boteco, compras de artesanato, passeio pela ruelas da cidade, Pucara de Tilcara, etc. É muito bom estar lá.

24/04/2010 – Tilcara ARG a Purmamarca ARG, passando por Humahuaca ARG – 118 Km
Estando em Tilcara vale a pena ir um pouco mais a norte pela Ruta 9 e conhecer Humahuaca. Viajar de moto por estas estradas é puro prazer. Céu sempre azul, temperatura amena, estradas ótimas, pouco movimento, enfim, perfeito para motociclistas. Fomos pernoitar em Purmamarca, outra pequena cidade da qual temos ótimas lembranças de outras viagens. Hospedamo-nos no Terrazas de la Posta por P$ 250,00 (R$ 125,00). Ótimo hotel, muito conforto e segurança para a moto. Purmamarca é muito pequena, mas tem ótimos locais para comer, beber, comprar artesanato e curtir o visual do Cerro de las Siete Colores, que fica atrás da cidade.

25/04/2010 – Purmamarca ARG a Paso de Jama ARG – 260 Km
A viagem começou muito tranqüila. Nosso plano original era dormir em Susques, no Hotel Unquillar, onde já tínhamos ficado outras vezes. Tudo muito bom, clima ótimo, céu azul, ótima estrada, visuais maravilhosos do deserto, cactus gigantes, Cuesta de Lipán e suas intermináveis curvas, altitude, um pouco de frio, as Salinas Grandes, etc. Ao chegarmos em Susques fomos surpreendidos pelos hotéis lotados. Uma companhia de mineração tinha alugado todos os quartos até julho de 2010. Sem termos onde ficar e retroceder não é minha característica, decidimos tocar em frente, até San Pedro de Atacama.
Aqui começa um dos piores dias de todas as viagens que já realizamos. Ainda em Susques, no posto de gasolina, começa um vento forte carregado de areia. Era uma tempestade de areia se formando e ganhando força. Estava difícil deixar a moto de pé. Abastecemos a moto e voltamos para a estrada. A tempestade de areia ficava cada vez mais forte. A areia açoitava a moto e a nós com muita vontade. Viajávamos com a moto bem inclinada, contra o vento. Já temos experiência com ventos fortes, é verdade, por conta das duas viagens a Ushuaia que realizamos. Os ventos patagônicos são fortíssimos e quem já viajou por lá sabe disso. Porém, aqui a coisa tinha o ingrediente da areia, que era implacável. A visibilidade chegou a três ou quatro metros apenas. A areia começou a entrar no capacete. Podia sentir a areia batendo na lateral da moto, nas malas laterais, na jaqueta, no capacete. A Michelle se segurava como podia na garupa (tinha certeza que estava rezando). Parar a moto nem pensar. Se eu parasse a moto ali, era quase certo que não conseguiria reiniciar a viagem. Seguíamos com muito sofrimento e com muito perigo. Os poucos caminhões que passaram por nós eram monstros invisíveis pois só os víamos quando estavam quase em cima de nós. Os braços e pernas começaram a doer muito, pela força que tinha que fazer para manter a moto em linha reta e de pé. Ao avistarmos o complexo de Jama, foi um grande alívio. Desde a primeira vez que viajamos por aqui, em 2003, a estrutura do Paso de Jama mudou muito. Atualmente há posto de gasolina com boa loja de conveniência e inclusive acomodações no anexo. Quando chegamos ao posto os frentistas não acreditaram no que estavam vendo. Fomos chamados de loucos por estarmos na estrada naquelas condições. Não deu pra abastecer a moto pois não tinha como ficar com ela de pé. Arrumei um local abrigado do vento, na lateral do posto, e com dificuldade entramos na loja de conveniência, onde pedimos um café quente para aliviar a tensão. Por sorte havia quarto vago no posto. Imediatamente fechamos o preço (P$ 140,00 – R$ 70,00) e fomos para o quarto. Não havia água quente pois o vento estragara a bomba e o aquecedor. Após descansarmos um pouco, voltamos para a loja de conveniência e ficamos na janela olhando as peripécias dos frentistas para atender os caminhoneiros. Foi um dia inesquecível, mais um para se juntar as nossas experiências de viagens de moto. Fica a dica: no deserto o clima é imprevisível, tudo pode mudar de uma hora para outra. Temos que estar sempre atentos e preparados.
O resultado da tempestade de areia foi muito ruim. A viseira do capacete ficou completamente riscada. Pilotar contra o sol ficou praticamente impossível. Quanto à moto, paguei pelo meu erro. Eu sempre, em todas as viagens, protegia a moto toda com papel contact. Colocava em tudo: frente, laterais, bolha, etc. Nesta viagem eu não fiz isso, justo nessa. Assim, a areia fez um estrago na pintura da moto, na bolha e também nos faróis. Já no Brasil, a concessionária responsável pela revisão de retorno ficou impressionada com a quantidade de areia que encontrou entranhada na moto.

26/04/2010 – Paso de Jama ARG a San Pedro de Atacama CHI – 168 Km.
Passado o sufoco do dia anterior, o negócio é sacudir a poeira e voltar para a estrada. A moto teima em não pegar na fria manhã no Paso de Jama. Após várias tentativas, acabo recorrendo a ajuda de caminhoneiros que me ajudam a empurrar a moto e enfim o motor range forte. Seguimos para os trâmites aduaneiros, a 300 metros do posto de gasolina. Apesar da estrutura ter mudado bastante no Paso de Jama, as instalações da polícia continuam as mesmas: a velha casa de pedra, teto baixo e sufocante, os policiais amontoados dentro dela. Serviço rápido e estamos montados na moto em direção ao Chile. Fazia muito frio nos 4.200 metros de altitude do Paso e iria piorar bastante. Nos 4.800 metros que se atinge dentro do Paso, chegamos a temperatura de -05C, com o vento voltando a soprar forte. Passamos pelas montanhas do deserto, pelas esculturas de pedra e fomos direto para San Pedro de Atacama. Saudamos o vulcão Licancabur, velho conhecido, e chegamos a San Pedro no meio daquela manhã. Ficamos no Don Raul Residencial (P$ 28.000 – US$ 56,00 – R$ 100,00) por três noites. San Pedro é sempre agradável. Foram três dias de boa comida (Adobe Café), boa cerveja (no hotel, comprada no mercadinho), passeio ao Geiseres del Tatio pela terceira vez, passeio de moto as Lagunas Miscanti e Miñiques (250 Km ida e volta) e Valle de la Luna. Compras de artesanato e estamos prontos para prosseguir.

29/04/2010 – San Pedro de Atacama CHI a Tal Tal CHI – 710 Km
A partida de San Pedro deixa saudades. É uma cidade que nos faz muito bem. Seguimos vagarosamente pelo deserto em direção a Calama, Chuquicamata e pelo retão que vai a Tocopilla, no litoral do Pacífico. Muito frio apesar do tempo limpo e o sol brilhando em nossas costas. Começamos a ver as inúmeras companhias de mineração que trabalham no deserto. Aliás, toda a economia desta parte do Chile gira em torno das mineradoras. Os mineradores são a classe que obtém os melhores salários no Chile, o que faz com que o norte chileno seja muito mais caro se comparado ao sul, apesar do sul ser muito mais turístico que o norte. Isso faz com que os preços de hotéis e alimentação por aqui sejam bastante altos. Passamos por Tocopilla e seguimos ao sul, pela Ruta 1, margeando o Pacífico na maior parte. Entramos em Antofagasta e seguimos viagem, parando apenas para abastecer. Pela Ruta 5 fomos até a escultura Mano del Desierto mas, devido ao forte vento, as fotografias ficaram prejudicadas. Retornamos aproximadamente 18 Km de volta a Antofagasta e pegamos uma nova estrada, cujo asfaltamento foi recém inaugurado e seguimos para Tal Tal por Paposo, o que nos poupou quase 100 Km. Tal Tal é uma pequena cidade, muito simpática, na beira do mar. Ficamos no Hotel Mi Tampi (P$ 25.000 – US$ 50,00 – R$ 90,00).

30/04/2010 – Tal Tal CHI a Vallenar CHI – 500 Km
Pela Ruta 5 seguimos ao sul em direção a Vallenar. Passamos por Chañaral, Caldera e Copiapó, onde almoçamos. Imensas retas e montanhas sem atrativos margeiam a estrada. Entramos em Vallenar e decidimos dar um passeio até Alto del Carmem. Há uma grande “embalse” (represa) na região. Uma estrada estreita e muito sinuosa rodeia a represa. Retornando a Vallenar, encontramos uma cidade feia, sem qualquer atrativo e, o que é normal em cidades chilenas do interior, muitos cães soltos nas ruas, que atacam a moto com estardalhaço. Levei uma mordida na perna que, por sorte, foi bloqueada pela calça grossa de pilotagem. Ficou até difícil parar a moto para procurar hotel, pois a cachorrada insistia em latir e avançar na moto. Por fim peguei o tripé fotográfico e fiquei a espantar os cachorros, uma cena ridícula assistida pela população local com normalidade vergonhosa. Hospedamo-nos no Hotel Real (P$ 30.000 – US$ 60,00 – R$ 108,00). A cidade, apesar de horrorosa, é muito cara por conta dos mineradores. Não vale a pena ficar aqui. Pela manhã começamos a nos preocupar com os cachorros. Preparamos a moto e acabei achando um cabo de vassoura jogado no estacionamento. Seguimos pela cidade com a Michelle empunhando o cabo de vassoura e espantando os cachorros. Adeus a Vallenar, nunca mais voltaremos aqui.

01/05/2010  - Vallenar CHI a Vicuña CHI – 280 Km
Chegamos a Vicuña na expectativa de, no dia seguinte, conhecermos o Paso Água Negra, tido como um dos mais belos pasos da Cordilheira dos Andes, que liga Vicuña no Chile a Las Flores na Argentina. Vicuña é uma cidade pequena, muito simpática. Em seu entorno são muitos os parreiras de uva para produção do pisco, aguardente típica chilena. Hospedamo-nos no Hotel Aldea de Telqui (P$ 22.000 – US$ 44,00 – R$ 79,20). A expectativa pelo Paso Água Negra era grande. Preparei a moto, comprei gasolina reserva, ajustei a suspensão, enfim, tudo pronto para o dia seguinte. A noite, na entrada do hotel, conversando com o dono do lugar, ele me alerta que, devido ao mau tempo dos últimos dias, é bem provável que o paso estivesse fechado por causa da neve. Isso acontece com freqüência. Na verdade o período adequado para viajar pelo Água Negra é de dezembro a fevereiro, pois no resto do ano a interrupção da estrada é muito comum. Porém estávamos confiantes que daria certo. O dono do hotel ligou aos carabineros que ficam no paso e confirmou: fechado. Foi um balde de água fria. Decidi que no dia seguinte eu mesmo iria ligar para os carabineros e verificar a situação da estrada do paso.

02/05/2010 – Vicuña CHI a La Serena CHI – 75 Km
Acordamos e após o café da manhã, liquei para os carabineros na Junta Toros (telefone 651183) que informaram o fechamento da estrada. Talvez, informou o policial, no dia seguinte estaria aberto. Sugeriu que no final da tarde eu ligasse novamente. Decidimos ir para La Serena e dormir por lá, aguardando ansiosamente a abertura do Água Negra. Em La Serena ficamos na Hospedaje Acropolis (P$ 22.000 – US$ 44,00 – R$ 79,20). Aproveitei para olhar a embreagem da moto que necessitava completar o flúido. Apesar de ser domingo pela manhã, encontrei uma oficina na Calle Libertad 1040, cujo mecânico, Sr. Hector Castillo, rapidamente sanou o problema. Passeamos pela cidade, na orla, no shopping local. No final da tarde ligamos novamente para os carabineros no Água Negra. A informação era de que talvez no dia seguinte pudéssemos passar.

03/05/2010 – La Serena CHI a Vicuña CHI, via Junta Toros – 240 Km
Acordamos cedo e, do posto de gasolina em La Serena, entrei em contato com os carabineros. O policial informa que a estrada estaria liberada apenas para veículos grandes e com tração 4X4. Perguntei se havia alguma chance de deixarem passar uma moto e o policial disse sim. Lá fomos nós, novamente a Vicuña e seguindo direto a Junta Toros, aduana chilena na cordilheira, distante 90 Km de Vicuña. Fizemos o trajeto com muito frio apesar do dia lindo. Chegamos na aduana certos que passaríamos, mas os carabineros nos barraram. Contaram que a quantidade de neve despejada na montanha e na estrada era muito grande e que os argentinos não estavam conseguindo liberar a estrada. Nem os 4X4 estavam sendo liberados. Apesar disso, sugeriram que aguardássemos até o início da tarde e talvez as condições da pista mudassem. Os carabineros nos atenderam muito bem. Ofereceram café e até assistimos um DVD juntos (Jogos Mortais VI... muito sugestivo). As 14:30 hs, após 4 horas de espera, vem a última notícia: Paso Água Negra fechado definitivamente para a temporada. Desapontados, agradecemos o emprenho dos carabineros e retornamos a Vicuña, ficando no Hotel Halley (P$ 29.000 – US$ 58,00 – R$ 104,00). Apesar de nossa grande vontade de cruzar o Água Negra e de nossa persistência em conseguir, não deu e então vai ficar para outra oportunidade.

04/05/2020 – Vicuña CHI a Los Andes CHI – 505 Km
Frustrado nossa passagem pelo Água Negra, o negócio é começar o regresso ao Brasil. Viajamos pela Ruta 5 rapidamente até Los Andes, na cabeceira do Paso Cristo Redentor. Cidade cheia, poucos hotéis disponíveis, cansados, acabamos pagando caro para ficar no Inca Hoteles (US$ 124,00 – R$ 223,00).

05/05/2010 – Los Andes CHI a Mendoza ARG – 290 Km
Subimos os Caracoles cedo pela manhã. Um frio cortante batia forte. Visitamos Portillo e seguimos viagem pela ruta, passando pela aduana argentina e depois pelo Aconcágua, Puente del Inca, etc. Muito frio realmente na estrada. O tempo nublado anunciava neve. Dias depois, conversando com um caminhoneiro brasileiro em um posto de gasolina no interior da Argentina, soubemos que naquela noite nevou forte acumulando 30 cm de neve na estrada. Em Uspallata almoçamos no El Rancho um suculento bife de chorizo. Em Uspallata começou um vento muito forte. Caminhoneiros desaconselharam continuarmos a viagem, mas não demos ouvidos e seguimos a Mendoza, chegando por volta das 16:00 hs. Em Mendoza procuramos um apart-hotel e acabamos ficando no Garden Apartments (P$ 120,00 – R$ 60,00) por duas noites. Linda cidade, Mendoza vale uma visita mais demorada. Muitos bares noturnos, restaurantes, bons vinhos. Visitamos a vinícola Baldrón, a vinícola Don Arturo, degustamos vinhos. Visitamos também uma fábrica de azeite de oliva chamada Pasrai.

07/05/2010 – Mendoza ARG a Villa Maria ARG – 630 Km
Pela Ruta 7 seguimos viagem com muito frio. Nem na Patagônia tínhamos experimentado tanto frio como nessa viagem. Em Villa Maria ficamos novamente no Hotel San Martin (P$ 160,00 – R$ 80,00).

08/05/2010 – Villa Maria ARG a Paraná ARG – 340 Km
Viagem tranquila pelo interior argentino. Chegamos a Paraná no final da tarde. Paramos para almoçar em um restaurante na Avenida Costanera, na margem do Rio Paraná. Dia de sol, tranqüilo. Foi difícil encontrar hotel barato. Acabamos aceitando ficar no Apart Hotel Tribunales por R$ 225,00 (R$ 112,50).

09/05/2010 – Paraná ARG a Uruguaiana RS – 460 Km
Trecho sem atrativos, chegamos a Uruguaiana e ficamos no Hotel Mainardi por R$ 80,00.

10/05/2010 Uruguaiana RS a Porto Alegre RS – 660 Km
Chegamos a Porto Alegre as 18:00, dia útil, com chuva. Procurávamos a casa de um amigo que nos receberia para pernoitar. Pela primeira vez senti falta das facilidades de um GPS. Levamos 2 horas até encontrar o local.

11/05/2010 – Porto Alegre RS a Criciuma SC – 306 Km
Fizemos o trecho final da viagem, pela Freeway e depois pela BR 101, com chuva torrencial. Era muita água. A BR 101 chegou a ser bloqueada pela água em Araranguá SC. Chegamos em nossa casa em Criciuma completamente ensopados.